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Os conceitos filosóficos dos números

em Tratado da Reintegração dos Seres e O Grau de Mestre Escocês de Santo André no Rito Escocês Retificado

Os números possuem uma dimensão simbólica profunda tanto na obra Tratado da Reintegração dos Seres, de Martinez de Pasqually, quanto no texto de Roland Bermann, O Grau de Mestre Escocês de Santo André no Rito Escocês Retificado. Apesar de ambos os autores partirem de tradições esotéricas ligadas ao cristianismo místico e ao simbolismo maçônico, suas abordagens têm nuances distintas.

No Tratado da Reintegração dos Seres, Martinez de Pasqually desenvolve uma visão ontológica e cosmológica dos números. Para ele, os números são mais do que instrumentos matemáticos; são princípios metafísicos que estruturam a criação. Cada número reflete uma ideia divina e desempenha um papel no processo de emanação, queda e reintegração dos seres.

  • O Uno e a Unidade Divina: Pasqually inicia sua análise no Uno como símbolo do Criador. O número Um representa a fonte primária de onde todas as coisas emanam.
  • O Dois e a Dualidade: O Dois é interpretado como a separação inicial, simbolizando a criação do mundo material e a divisão entre o Criador e o criado.
  • O Sete e a Perfeição: O número Sete possui um papel especial, representando a plenitude e a ordem divina que se manifesta em ciclos naturais e espirituais.

Para Pasqually, os números não apenas descrevem o mundo, mas articulam um processo de reintegração espiritual, pelo qual o homem deve retornar ao Uno.

No texto de Roland Bermann, os números são analisados sob uma perspectiva simbólica e ritualística no contexto do Rito Escocês Retificado. Bermann explora os números como representações de princípios espirituais e morais aplicados à prática maçônica.

  • O Três e a Trindade: O número Três aparece como a expressão da Trindade Divina, essencial tanto para o cristianismo quanto para a simbologia maçônica.
  • O Quatro e a Estabilidade: Bermann associa o Quatro aos elementos materiais e aos pilares fundamentais da Loja, que sustentam a construção espiritual do iniciado.
  • O Sete e a Perfeição Espiritual: Assim como Pasqually, Bermann reconhece o Sete como número de plenitude, mas no contexto maçônico, ele também representa o progresso ritualístico e moral do iniciado.

Enquanto Pasqually atribui aos números um papel cosmológico mais abstrato, Bermann os conecta diretamente à jornada iniciática e à prática ritual. No Rito Escocês Retificado, os números são interpretados como chaves para decifrar ensinamentos espirituais e para guiar o maçom em sua evolução pessoal.

Embora ambos os autores reconheçam os números como princípios fundamentais do universo, suas abordagens diferem no foco e na aplicação. Martinez de Pasqually enfatiza uma visão ontológica e teológica, enquanto Roland Bermann explora o simbolismo prático e ético no contexto dos rituais maçônicos.

A ponte comum entre as duas visões é o reconhecimento do número como veículo de conhecimento transcendente. Em Pasqually, isso se traduz na reintegração espiritual da criação ao Criador; em Bermann, na elevação moral e espiritual do iniciado. Assim, ambas as obras contribuem para uma compreensão mais rica e multifacetada da dimensão simbólica dos números.

Tratado da Reintegração dos Seres de Martinez de Pasqually e Os Números de Louis Claude de Saint-Martin

A filosofia dos números desempenha um papel central nas obras de Martinez de Pasqually e Louis Claude de Saint-Martin, ambas figuras centrais da tradição. Apesar de suas abordagens compartilharem raízes espirituais comuns, cada autor desenvolve perspectivas distintas sobre os números, refletindo suas ênfases individuais no pensamento místico.

No Tratado da Reintegração dos Seres, Martinez de Pasqually aborda os números sob uma ótica cosmológica, considerando-os expressões diretas das leis divinas que governam a criação e a reintegração dos seres. Os números, para Pasqually, representam os degraus do processo pelo qual o homem, tendo caído da unidade divina, pode retornar à fonte original.

  • O Uno e a Unidade Divina: O número 1 é a representação primordial do Criador, o princípio absoluto de onde todas as coisas emanam.
  • A Dualidade e a Separação: O número 2 simboliza a polaridade e a ruptura inicial entre o Criador e o criado, marcando o início da manifestação material.
  • O Sete e a Plenitude: Para Pasqually, o número 7 sintetiza o retorno à perfeição divina, representando as etapas espirituais de reintegração.

Os números, nesse contexto, possuem um caráter essencialmente funcional, descrevendo tanto a estrutura do universo quanto a dinâmica da relação entre Deus e a criação.

Em Os Números, Louis Claude de Saint-Martin, discípulo de Pasqually, adota uma abordagem mais simbólica e interpretativa. Ele vê os números como uma linguagem universal que expressa verdades espirituais e metafísicas. Para Saint-Martin, cada número carrega uma essência espiritual que pode ser decifrada pelo iniciado.

  • O Uno como Origem e Centro: Assim como Pasqually, Saint-Martin vê o 1 como símbolo da unidade divina. No entanto, ele enfatiza mais o aspecto meditativo do número, como ponto de retorno à harmonia interior.
  • O Dois como Relação: Saint-Martin interpreta o número 2 como a relação entre o homem e o divino, destacando a necessidade de reconciliação.
  • O Três como Manifestação: O número 3 simboliza a tríplice manifestação da Divindade no mundo: pensamento, palavra e ação.
  • O Dez e a Totalidade: Saint-Martin dá especial atenção ao número 10, vendo-o como o símbolo da totalidade e da realização espiritual.

Diferentemente de Pasqually, Saint-Martin privilegia a leitura simbólica e subjetiva dos números, entendendo-os como instrumentos para o autoconhecimento e a ascensão espiritual.

  • Similaridades: Ambos os autores concordam que os números não são meros símbolos matemáticos, mas expressões de verdades espirituais. Para ambos, o número 1 representa a unidade divina, enquanto o 7 está associado à plenitude e à ordem espiritual.
  • Diferenças:
    • Pasqually enfatiza a dimensão ontológica e a função dos números no processo de criação e reintegração universal.
    • Saint-Martin adota uma abordagem mais introspectiva, explorando os números como chaves para a compreensão das relações espirituais e para o desenvolvimento individual.

Os números, em ambos os sistemas, transcendem o âmbito do cálculo para se tornarem instrumentos de compreensão espiritual. Pasqually os utiliza para descrever as etapas cósmicas da reintegração, enquanto Saint-Martin os interpreta como um mapa para o autoconhecimento e a busca de harmonia interior. Assim, as duas obras, embora complementares, revelam facetas distintas do simbolismo numérico na tradição retificada.

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