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Uma  Loja justa e perfeita no contexto Retificado

Qualificar uma Loja com adjetivos exatos e precisos é uma tradição que remonta ao início da maçonaria.
Ao consultar antigos catecismos britânicos, encontramos “Loja justa e perfeita” desde 1696 em Edimburgo, mas também na Irlanda e Inglaterra. (os “Catecismos maçônicos primitivos” de Knoop, Jones e Hamer, publicados em 1943)
Por isso, o que dificulta o assunto é que o cargo de mestre não apareceu nos primeiros documentos até 1725. Antes dessa data, havia somente duas notas, o que complica as características do que torna a loja justa e perfeita. Esta breve exposição pretende mostrar duas coisas. Primeiro, em momento algum e em qualquer ritual ou instrução, passado ou presente, é especificado que sejam necessários sete mestres para tornar a Loja justa e perfeita. Por outro lado, no rito escocês retificado, a definição de justo e perfeito, segundo um documento de Willermoz, parece ser um conceito completamente distinto, e não uma simples contagem quantitativa e hierárquica.

Aqui estão algumas traduções do catecismo britânico pós-1725:
• Quantos formam uma Loja real e perfeita?
• Sete.
• Quem são eles?
• Um mestre, dois vigilantes, dois companheiros e dois aprendizes. (Willkinson MS (1726))

• O que torna uma Loja justa e perfeita?
• Sete ou mais.
• Quem são eles?
• Um mestre, dois vigilantes, dois companheiros e dois aprendizes. (Maçonaria Dissecada (1730))
Percebemos que sempre se fala que, além de 3 mestres, o número sete é completado por companheiros e aprendizes.

E na França?

No catecismo dos maçons de 1745 pode-se ler:
• Quantas pessoas são necessárias para formar uma Loja?
• Três formam, cinco compõem, e sete a tornam perfeita.
• Quem são esses sete?
• O Venerável Mestre, o primeiro e o segundo Vigilantes, dois Companheiros e dois Aprendizes.

• Quem faz essa loja justa e perfeita?
• 3, 5 e 7; ou seja, um Mestre Venerável, 2 Vigilantes, 2 Companheiros e 2 Aprendizes.

Também em 1747, o Novo Catecismo dos Maçons especificou a progressão 3-5-7:
• Quantos tipos de Lojas existem?
• Três, a saber, a simples, a certa e a perfeita.
• Quem compõe a Loja Simples?
• Três, um venerável e dois vigilantes.
• Quem compõe os justos?
• Cinco, um Venerável, dois Vigilantes, um Mestre, um Companheiro Aprendiz.
• Quem compõe o perfeito?
• Sete, um Venerável, dois Vigilantes, dois Mestres, dois Companheiros aprendizes.
A progressão de simples para justo e perfeito é bem explicada.

Vamos parar com esse lembrete histórico. Como dito na introdução, não há, de fato, nenhuma evidência, em qualquer rito ou instrução, antiga ou atual, de que sejam necessários sete mestres para formar uma Loja justa e perfeita. Agora veremos que Willermoz tratou o termo justo e perfeito de forma completamente diferente.

E o rito escocês retificado?

O texto usado hoje nas lojas que praticam o rito escocês foi codificado no Convento de Lyon em 1778.

• Onde você foi recebido?
• Em uma Loja justa e perfeita, onde a unidade, a paz e o silêncio reinam.
• O que significa uma Loja justa e perfeita?
• Três formam, cinco fazem e sete a tornam justa e perfeita.

Em Wilhelmsbad, 1782, nada mudou, sem detalhes de alterações. A contagem aparece na Instrução Secreta (J.-B. Willermoz), página 1038, considerações que não se relacionam com as anteriores. Aqui está um texto que reforça o problema da definição de justa e perfeita, não como uma contagem quantitativa e hierárquica de presentes, mas em aspectos espirituais simbolizados pelos números três, cinco e sete. Para entender Willermoz, deve-se notar que a frase “três formam, cinco compõem e sete fazem de forma justa e perfeita” soa como uma fórmula alquímica. Os adjetivos justo e perfeito são muito fortes. É difícil acreditar que se trate apenas de uma contagem quantitativa e hierárquica de presentes.

“Quando o maçom é perguntado onde foi recebido, ele responde: Em uma Loja justa e perfeita. 3 a formam, 5 a fazem, 7 a tornam justa e perfeita. Esta resposta está na ciência básica. Mas os maçons modernos que tentaram explicá-la por definições convencionais não conseguiram dar solução satisfatória, que jamais foi encontrada até retornar ao início da Franco-Maçonaria. Ela ensinava que a Loja onde o homem foi recebido é sua forma corporal, que é o Templo de sua inteligência. Esta forma, originada pelo número 3, hoje carrega, por sua transmutação fatal, o número 5, além de todos os poderes vivos que ali estão unidos. Mas esse número só é obtido pela junção do 2 com o 3. O número 3 expressa os três princípios fundamentais simples de toda corporificação, chamados enxofre, sal e mercúrio, dos quais o corpo do homem deriva sua origem, como todos os corpos de natureza elementar. Esses 3 princípios se manifestam nas diferentes substâncias que o compõem, e é justo reconhecer a presença de enxofre ou fogo no fluido chamado sangue; princípio de sal ou água em partes macias ou insensíveis; e mercúrio ou terra em partes sólidas ou escuras. Neste sentido estrito, 3 formam a Loja ou o Templo do homem, seu invólucro material. Mas ela ainda não poderia viver sem nervos e músculos, que são órgãos de sensibilidade e movimento quando recebem um princípio que lhes dá impulso… Então, é correto dizer que 5 compõem o Templo do homem. Contudo, ainda é um cadáver imóvel, e somente o número 7 pode torná-lo justo e perfeito. A alma passiva, tão conhecida pelo número sete, vem dar-lhe vida passiva… (referências ao 2º grau). Finalmente, o número sete dos anos do Espírito ou da Inteligência torna a Loja perfeita. É o número do mestre; é o ato sabático ou os sete anos da formação particular do homem. Para que uma Loja ou um Templo exista, é necessário que um ser superior a habite…”

Artigos Públicos

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